As minhas gestações – a história de João

A terceira foi uma gravidez-surpresa e trouxe o caçulinha João.

Nossas vidas haviam se transformado muito, tínhamos 2 filhos pequenos, o Ricardo havia começado uma empresa de informática para a área médica que precisou de investimento financeiro, vendemos nosso apartamento e nos mudamos para um menor , eu havia começado um trabalho novo com perspectiva de fazer menos plantões noturnos e de fim de semana.

Contratamos uma babá para os fins de semana e voltamos a sair à noite , voltar tarde para casa, viajamos alguns fins de semana com amigos e em alguma destas  noites esquecemos que eu não estava tomando a pílula nem tinha colocado outro DIU.

Era o mês de março de 2007, logo depois de um fim de semana no Rio de Janeiro com muito chopp, samba e bolinhos de bacalhau, quando comecei a me sentir incomodada, estava gorda, peituda.

No dia do aniversário do Ricardo fomos a uma pizzaria e quando senti um enjoo terrível, que continuou no dia seguinte, junto com um “gosto de cabo de guarda chuva” na boca, ARGH!

De repente me lembrei que já tinha sentido isso antes, e era quando estava grávida……Peraí!! Quando tinha sido minha última menstruação?? Ai meus Deus!! Não lembrava, talvez antes do carnaval!!!

Corri para o laboratório e fiz um teste de gravidez sem contar para ninguém.

Quando cheguei em casa, perguntei para o Lucas o que ele achava de termos outro bebê em casa, e ele, lindo e iluminado, respondeu que se fosse vontade do Papai do Céu, tudo bem. Chorei.

No dia seguinte, o resultado estaria pronto, não tive coragem de ir ao laboratório buscar, eu já sabia que seria positivo, não tive forças para me levantar da cama… Liguei para o Ricardo e contei  tudo, poucos minutos depois ele me liga já com o resultado em mãos, todo feliz, íamos ter outro filho!

Mil coisas passavam pela minha cabeça. Não era o momento ideal para termos outro filho, o apartamento era pequeno, não caberiam 3 cadeirinhas de bebê no carro, como eu ia contar no emprego novo (?), a Laura era tão pequeininha, eu não ia dar conta de 3 filhos, eu estava enorme de gorda e ia engordar mais ainda, e se a babá  pedisse demissão quando soubesse…

Eu não podia sentir tudo aquilo, não era justo com o bebê, mais um filho era uma benção, não podia ser um problema… ai que preguiça de outra gravidez… Pára com isso mulher, levanta da cama, ergue a cabeça e encara os fatos: Você está grávida e vai ter outro filho!

E assim foi.  Não foi planejado mas não seria indesejado.

Que viesse, pois no meu coração havia espaço para mais um e o resto a vida se encarregaria de dar um jeito.

Depois do susto inicial, lidei  bem com a gravidez e com a ideia de ter 3 filhos. O Lucas logo disse: “Vai ser um irmão , e vai chamar João”. E assim foi.

A Laurinha ainda era pequena para entender direito mas fazia carinho na barriga, dava beijinhos  e de vez em quando colocava uma boneca debaixo da blusa e dizia que era o João dela.

Foi uma gravidez que teve mais enjôos que as anteriores. Não vomitava, mas tinha muita náusea e azia, vivia chupando gelo, picolé de abacaxi e de limão. E comia de 2 em 2 horas. O problema é que as únicas coisas que aliviavam o mal estar eram  alimentos gelados ou salgados, de preferência carbohidratos, e exagerei nos pães e salgadinhos… Obviamente que fiquei enorme, uma gravidona, afinal eu ainda não tinha recuperado o peso depois do nascimento da Laura e engordei bastante.

Lembro muito bem do cansaço. Eu trabalhava fazendo visitas a pacientes no domicílio, quase sempre na parte da tarde, então saía de casa depois do almoço, com calor e dirigia muitas vezes para bairros distantes , tinha tanto sono…

E o dia a dia de casa, trabalho, escola, natação, inglês, reuniões de pais, choros, colos, birras, festinhas infantis, etc. com dois filhos pequenos e um barrigão era mais cansativo que o habitual.

Dei conta do recado até 33 semanas de gestação , quando num  sábado com sol de rachar e atividades para pais e filhos na escola, com direito a sentar no chão, andar pela mata, subir e descer escadas e carregar ora o Lucas ora a Laura no colo, cheguei em casa mais cansada que o habitual. Estava EXAUSTA!!!!

À tarde elas começaram, minha velhas conhecidas : as contrações do trabalho de parto prematuro.

Desta vez o repouso foi curto, faltavam poucas semanas para o bebê poder nascer sem risco.

Achei que  foi muito bom poder ficar à toa de cama uns dias, já tinha o quarto e o enxoval prontos, meu pai havia contratado um motorista que me ajudava levando os meninos para escola, natação e coisas afins.

Aproveitei, aluguei  todas as  temporadas completas de “Sex and The City” em DVD , providenciei algumas toalhinhas para bordar, livros para ler e descansei enquanto inibia as contrações.

As crianças entenderam que a mamãe não podia mais pegá-los no colo para não fazer mal ao irmãozinho e quando estavam em casa ficavam na cama agarradinhos comigo vendo televisão.

A Laurinha fez 2 anos enquanto eu estava de repouso e eu pensei que seria a última oportunidade dela ter uma festa só dela, porque dali em diante o aniversário dela e do João seriam comemorados juntos. Organizei tudo de cima da cama, e durante a festa fiquei sentada quietinha.

Quando a gravidez chegou às 36 semanas, a medicação para inibir as contrações foi suspensa e saí do repouso, fomos ao clube de manhã, entrei na piscina com os meninos, tomei um solzinho e à noite fomos comer uma bacalhoada na casa da minha prima.

De madrugada acordei com dor de barriga, achei que tinha comido demais, mas a dor ficou mais intensa  e a barriga começou a endurecer.

Era diferente das contrações do trabalho de parto prematuro, estas eram mesmo fortes.

Cutuquei  o Ricardo e pedi que ele ligasse para o médico. O João ia nascer.

Lá pelas 7 da manhã fomos para o hospital e o meu médico disse que ia terminar uma cirurgia e já ia para lá. Fiquei na sala de pré-parto esperando, e as contrações apertando, e eu esperando, e o intervalo entre elas diminuindo, e o médico não chegava…

Eu já tinha tido 2 cesáreas, não podia arriscar deixar o trabalho de parto evoluir, era perigoso o útero romper.

Quando o Ricardo resolveu me mandar par a sala de cirurgia, que ele mesmo ia começar a cesárea, o Dr. chegou.

Pouco depois das 10 horas do dia 31 de outubro de 2007, de parto cesáreo, assistido pelos avós e pela madrinha, com 36 semanas, pesando 3010 g, com choro forte, gorducho, cabeludo e de bochechas rosadas chegou o João, caçulinha, rapa do tacho, meu adorado  presente surpresa!!

Publicado em 23 de setembro de 2013

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