As minhas gestações – a história de Laura

A segunda foi uma gravidez cheia de intuições e trouxe a Laura, 2 anos e 8 meses depois do Lucas, e foi mais ou menos assim:

Depois do primeiro parto decidi colocar um DIU, não queria mais tomar pílula!

A verdade é que não gostei muito da experiência, tinha muitas cólicas e o fluxo menstrual era imenso.

Não estava propriamente planejando engravidar, mas o Lucas já tinha dois anos, quando fui a uma consulta de controle com minha mãe, com o mastologista dela que também é meu ginecologista. Durante a consulta , ele perguntou se estava tudo bem comigo e eu disse que estava pensando em tirar o DIU. Ele repondeu que o ideal era eu estar menstruada para tirar, que quando quisesse era só ligar para o consultório no dia. AHA!!!! Eu estava menstruada , aproveitei que já estava lá e pimba, arranquei aquela coisa de dentro do meu útero.

Estávamos no mês de janeiro de 2005, meu irmão ia se casar em setembro, em Portugal. Engraçado como me lembro de dizer que provavelmente  eu estaria grávida no casamento, imaginando que demoraria ainda alguns meses para engravidar, e que poderia viajar sem problemas na época.

Três semanas depois de tirar o DIU comecei a sentir que meu estômago existia, sentia um gosto estranho na boca, mas disse a mim mesma “não houve tempo suficiente para ser sintoma de gravidez”.

Fomos a Brasília onde minha cunhada estava comemorando a gravidez dela e eu pensei, “vamos ter filhos com pouco tempo de diferença”, mas não disse nada a ninguém, iam pensar que eu estava louca, teoricamente não tinha motivos para suspeitar, minha menstruação nem tinha atrasado ainda, mas no fundo eu já sabia que estava grávida, não sei como nem porquê, e sabia até o dia e o momento exato em que o óvulo havia sido fecundado, tinha uma certeza dentro de mim, inexplicável.

Pois então, não consegui esperar o atraso menstrual, no dia em que era para ficar menstruada, fui ao laboratório e fiz o exame de sangue. Como era esperado, deu positivo, só que com valores muito baixos, porque era muito precoce.

Liguei para o Ricardo, que estava trabalhando fora da cidade e peguntei: “Beta HCG de 50 é positivo ?” R. – “sim, porquê?” eu – “Então você vai ser pai de novo!” E desliguei o telefone. Ele levou um susto!

Desta vez a gravidez foi diferente, tive mais enjôo, apesar de nunca chegar a vomitar.

Não tolerava alguns alimentos, principalmente doces, e engordei  beeeem mais. Era uma “gravidona”, enorme!

Emocionalmente também foi diferente,eu estava mais instável,tinha medo de não conseguir lidar com dois filhos, me sentia frágil, nervosa, tinha insônia, ansiedade.

O Ricardo ficava fora da cidade muitos dias, eu me sentia sozinha, triste. Cheguei até a tomar antidepressivos receitados pelo médico.

Por outro lado, o Lucas era um amor,  adorava fazer carinho na barriga, dava beijinhos e passava horas a desenhar nela…. Mas também deu trabalho, nada fora do usual, apenas o normal de uma criança de 2 anos:  tirar a fralda, ensinar a usar o banheiro, lidar com as birras, dar colo, acordar no meio da noite, querer dormir na cama dos pais… Só que com barrigão é mais difícil lidar com tudo isso….

Antes de sabermos o sexo do bebê, andávamos a decidir os nomes prováveis, se fosse homem talvez  Pedro ou Rafael, se fosse mulher Laura ou Maria. Quando, de repente, uma noite acordei sobressaltada, cutuqei o Ricardo e disse;: “Amor, não podemos mudar o nome dela, ela é Laura , sempre foi Laura!”

E assim foi, Laura, antes mesmo de ver pelo ultrassom eu já sabia quem estava dentro da minha barriga.

A Renata minha prima morava em Chicago, e assim que tivemos a confirmação oficial do sexo do bebê, fomos passar uns dias lá e aproveitamos para fazer o enxoval.

AHHHHH desta vez eu comprei até dizer chega!!!!!! Escolhi todos os macacões cor de rosa , os vestidos, os sapatinhos, os lacinhos para o cabelo (que diga-se de passagem foram inúteis , pois ela nasceu careca).

Trabalhei tranquilamente , depois do susto da gravidez do Lucas evitei os plantões de muitas horas seguidas. Tinha muita falta de ar, andava bufando, cansada, inchada e parei de trabalhar com 33 semanas.

Por coincidência foi exatamente na semana que meu irmão se casava em Portugal, e que eu não fui, com medo de atravessar o Atlântico de barrigão. Meu médico disse que eu podia ir, mas havia a história da prematuridade do Lucas, e eu e o Ricardo preferimos não arriscar.

No dia em que completei 37 semanas de gravidez fui à consulta de rotina do Pré Natal , estava tudo bem, o colo do útero fechado, bebê alto, ainda não tinha encaixado, sem contrações, uma beleza!

Até que o Dr disse que ia viajar naquela madrugada, voltava dentro de 1 semana e aí faria uma nova avaliação para programarmos a cesárea (como o primeiro foi cesárea, a segunda seria também).

Apavorei!!!!!!! Pedi pelo amor de Deus para o Dr não viajar, tinha a sensação que não ia aguentar mais a gravidez, apesar de estar tudo bem. Ele me acalmou, não havia motivos para desespero, mas eu sabia, não sei como nem porquê, simplesmente sabia que não ia esperar mais 1 semana.

E foi dito e feito.

Cheguei em casa um pouco agitada, sem posição que me deixasse confortável, não dormi nada durante a noite, tinha calor, falta de ar,  e por fim, contrações. Eu  sabia!!!!!!!

Olhei para o relógio e era exatamente a hora que o meu médico disse que iria viajar!

Tranquilamente tomei um banho, liguei para a minha mãe, pedi meu sogro para vir ficar com o Lucas.

Me preparei para ir para a Maternidade que já estava combinado com meu médico onde seria o parto e que eu conhecia a equipe de pediatria, já tinha conversado com minhas colegas para fazerem a sala de parto e tudo mais.

Quando de repente notei no nervossismo do Ricardo. Ele disse que não íamos para aquele hospital, iríamos para outro, onde ele estava acostumado a operar e que na falta do meu médico, era ele mesmo que ia fazer o parto.

Fui internada como paciente do meu marido, ele assumiu toda a responsabilidade por mim, me encaminhou para a sala de parto e fez a minha cesárea.

Ás 06:38 do dia 18 de outubro de 2005, pelas mãos do pai, assistida ao vivo pelos avós maternos, pesando 2800g , linda, cor de rosa, saudável  e careca chegou minha princesa Laura.

Presente do destino, era dia do médico, dia de São Lucas.

Não sei quem chorou mais , a bebê ou o pai!!!!!

Publicado em 16 de setembro de 2013

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