Benefícios da mãe que amamenta

Pesquisas realizadas nas duas últimas décadas contribuíram muito para uma melhor compreensão dos benefícios do aleitamento materno para a criança e para a mulher. A relevância dos achados levou a mudanças substanciais nas recomendações para políticas públicas. Muitos estudos também têm sido realizados com o objetivo de avaliar quais intervenções seriam mais efetivas para um aumento das práticas de amamentação.

Foi evidenciado que a amamentação auxilia na saúde física, psicológica e emocional da mãe, diminuindo o risco de depressão pós parto. O vínculo emocional da amamentação é tão grande que sua auto estima é elevada e a amamentação se torna motivo de orgulho. A mãe que amamenta sente-se realizada como mulher, estabiliza relação profunda com seu filho: afeto e dependência, sente satisfação por dar algo de si: leite bom e fresco.

Aleitamento materno exclusivo, livre demanda e praticado por 6 meses mostrou-se também importante para a saúde da mulher. Está associado a retardo na volta da menstruação e maior rapidez na perda de peso pós-parto. Após os seis meses, iniciar o consumo de alimentos complementares é recomendável para que todas as necessidades nutricionais de uma criança em franco crescimento sejam adequadamente atendidas. Contudo, manter a amamentação também é importante porque o aporte de 500ml diários de leite materno ainda será capaz de fornecer cerca de 75% das necessidades de energia, 50% das de proteína e 95% das de vitamina A, além da proteção imunológica.

A amamentação precoce pode levar a uma considerável redução na mortalidade neonatal.

O contato pele a pele desencadeia uma série de eventos hormonais importantes para a relação mãe/bebê. O toque, o odor e o calor estimulam o nervo vago e isto, por sua vez, faz com que a mãe libere ocitocina, hormônio responsável, entre outras ações, pela saída e ejeção do leite. Esse hormônio faz com que a temperatura das mamas aumente e aqueça o bebê. Por outro lado, a ocitocina reduz a ansiedade materna, aumenta sua tranquilidade e responsividade social.  A ocitocina liberada contrai o útero e ajuda a interromper a hemorragia pós parto. É por isto que as mulheres sentem dor em cólica quando iniciam a amamentação. Além disso, com a diminuição do sangramento, evita anemia materna.

Indaga-se sobre o efeito da amamentação no menor risco de morte por artrite reumatóide e há também controvérsia quanto a seu efeito contra certas fraturas ósseas, especialmente coxofemorais, pois há estudos mostrando que mulheres que amamentam apresentam menos osteoporose e menos fraturas.

Há indícios de que os benefícios da amamentação à saúde da mulher sejam muito importantes, confirmando-se o menor risco de câncer de mama e ovário. A explicação para isso está relacionado ao fato de que células com função imunológicas presentes no leite teriam um papel fundamental na destruição das células chamadas neoplásicas.

Os estudos mostram que, em ordem decrescente de significância, os fatores de proteção associados ao câncer ovariano são: uso de contraceptivo oral; gravidez e amamentação; ligadura de trompas e histerectomia; ooforectomia profilática; e não-exposição a agentes comprovadamente associados com a doença, tais como talco, terapia de reposição hormonal e drogas usadas para infertilidade.

Segundo a OMS, o aleitamento materno não é só um método anticoncepcional eficiente, como também efetivamente diminui a fertilidade da mulher. Isso é válido para a mãe que está com menos de 6 meses após o parto, ainda não tiver apresentado sangramento menstrual, amamentar exclusivamente, dia e noite e sob livres demanda do bebê, e o bebê mamar pelo menos oito vezes em 24 horas, sem intervalos muito longos entre as mamadas.

Toda mulher deve saber da importância que um gesto tão simples de amor e carinho, como é a amamentação, traz tantos benefícios para ela e para o bebê.

Publicado em 6 de setembro de 2013