Blues e depressão pós-parto

- O que é depressão pós-parto? - Como se desenvolve? - O que vai acontecer com meu bebê? – O que está acontecendo comigo?

Antes de mais nada, precisamos entender o que é depressão e como se desenvolve para podermos entender a depressão pós-parto por si mesma.

Depressão é uma doença psiquiátrica grave, muito frequente na população em geral, aparece em todas as idades e em todas as fases da vida.

Os sintomas normalmente presentes em um episódio depressivo são:
(classificação DSM-IV, 4 Edição, 1994.)

  1. humor deprimido
  2. interesse ou prazer diminuídos
  3. alteração de peso
  4. insônia ou hipersonia
  5. agitação ou retardo psicomotor
  6. fadiga ou perda de energia
  7. desvalia ou culpa excessiva
  8. diminuição da capacidade de pensar ou de se concentrar
  9. indecisão
  10. pensamentos recorrentes de morte

Traduzindo estes termos médicos, diríamos que depressão é uma tremenda falta de energia. Tão grande que algumas vezes, a pessoa deprimida se vê como a pior pessoa do mundo, sem nenhuma possibilidade de conseguir se levantar e sair daquele turbilhão de coisas que a envolve.

Um ponto muito importante é: precisamos estar muito atentos em diferenciar depressão de tristeza. Depressão é uma doença, tal como pneumonia ou outra qualquer, enquanto que tristeza é um estado de humor, muitas vezes passageiro, que tem uma causa ou um evento causador conhecido.
Mesmo as duas situações sendo muito dolorosas, não podemos confundir.

Depressão precisa de tratamento médico, tristeza pode melhorar com o tempo, com a resolução do luto e outros fatores.

Nas mulheres, reconhecemos que algumas fases são mais difíceis do ponto de vista orgânico e cultural. Estas fases têm marcantes alterações do humor, mas não necessariamente depressão. São elas a adolescência, a gravidez e o climatério (ou menopausa).

Na gravidez, as alterações do humor são muito importantes em todas as fases, mas clinicamente damos especial atenção ao período pós-parto, onde as mamães ficam expostas a uma grande modificação de hormônios e por consequência; de humores….

Para você ter uma idéia, até 80% das mulheres sentem algum tipo de desconforto depois do nascimento da criança. Como se fosse um certo vazio no peito, uma saudade de alguma coisa que não sabemos descrever ou mesmo da barriga gigante…. É normal. Se oitenta por cento das pessoas sentem, é normal e felizmente passageiro. Alguns dias, uma boa conversa com o seu médico e sua família e fica tudo bem. Isso se chama também de blues pós-parto.

Mas, quando estes sintomas tomam proporções exageradas – o que pode acontecer até 20% das mulheres neste período – pode ser diagnosticada depressão pós-parto, que também tem suas variáveis de sintomas.

Podemos ver algumas formas mais ou menos graves, e seu tratamento vai sempre variar de acordo com a necessidade.

Um profissional médico deve ser sempre a pessoa indicada para fazer o diagnóstico correto e prescrição do tratamento.

Devemos todos saber que há alguns fatores que aumentam a possibilidade de haver um episódio de depressão depois do parto, nomeadamente: história familiar ou pessoal de depressão; episódio prévio de depressão após o parto; ansiedade e depressão durante a gestação, suporte pós-natal deficiente, instabilidade conjugal, gravidez não desejada, mal relacionamento com a mãe e outros eventos estressores. Existem ainda outros fatores que ainda não estão bem descritos ou conhecidos.

Como poderemos então, diferenciar um quadro de depressão e um quadro de blues?

Voltamos a lembrar: o diagnóstico é de um médico.

Mas fica a dica: se alguém da família  ou amiga perceber que a mulher depois do parto está com um humor mais baixo do que o esperado, muito sem forças, com dificuldades de aceitar o bebê e algumas vezes sem poder nem mesmo ver pessoas da família….querendo ficar isolada, chorando muito ou com crises de ansiedade….chame um médico! Pode se tratar de um episódio depressivo que é muito grave e pode ser  tratado sem maiores consequências.

O profissional habilitado poderá usar anti-depressivos e outros medicamentos. Alguns destes remédios podem ser usados mesmo com a mãe amamentando e isso já é uma boa coisa para a mãe ir criando um vínculo com o neném.

É importante também observar que se a mãe se recusar a amamentar devemos respeitar até que ela se sinta apta para isso, permitindo que ela viva aquele período sem que isso seja mais um peso para ela.

Normalmente, o sentimento de culpa por não querer ver o bebê é muito doloroso para a mãe, e isso já é péssimo por si só. Não precisamos criar um clima por causa disso, afinal ela terá a vida toda para poder ficar perto da criança, e aqueles dias devem ser respeitados como um espaço para ela.

Resumindo:

Depressão pós-parto é uma doença, devemos sempre procurar um médico ou profissional de saúde habilitado.

Blues ou alguns sintomas de tristeza e angústia após o parto são super comuns, e devemos procurar orientações e esperar que o tempo mostre o caminho. Pegar o neném no colo, amamentar, dar amor e cuidar é um processo de aprendizado. Não nascemos sabendo, e temos o direito de ter dúvidas, medos, receios, e outras coisas mais.

Última palavra: devemos respeitar os sentimentos da mãe neste período, dar espaço para ela falar o que pensa e tomar muito cuidado para que a festa e alegria do clima de maternidade não se torne um peso. Nada de exageros nas festas dentro da maternidade logo nos primeiros dias….relaxamento para a mãe e bebê poderem criar o vínculo e aprenderem um com o outro.

Publicado em 1 de outubro de 2012 / Atualizado em 3 de outubro de 2013

DSM IV (1994), 4ª ed.

Higuti, P. D. C. L., & Capocci, P. O. (2003). Depressão pós-parto. Rev Enferm UNISA, 4, 46-50.

Azevedo, K. R., & Arrais, R. (2006). O Mito da Mãe Exclusiva e seu Impacto na Depressão Pós-Parto The Myth of the Exclusive Mother and its Impact on Postnatal Depression, 269-276.

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