Desmitificando a epidural

A anestesia epidural trata-se de um método anestésico loco-regional que não provoca perda de consciência. Atua sobre a dor provocada pelas contrações uterinas, não eliminando as outras sensações do parto.

Esta técnica consiste na injeção de um produto anestésico no espaço epidural, de modo a bloquear as raízes dos nervos responsáveis pela sensibilidade dolorosa da zona pélvica.

Primeiro aplica-se uma anestesia local na coluna para a adormecer. Depois o anestesista introduz uma agulha fina e oca na zona epidural, no interior da coluna. Posteriormente, introduz-se um cateter e a agulha é retirada. Através do cateter que lá ficou é administrada a anestesia.

As doses geralmente utilizadas variam de grávida para grávida e agem de forma que evita a mãe a sentir algumas sensações como:

  • Dores no período de dilatação;
  • Que a mãe mantenha a sensação de puxo;
  • Que no período expulsivo do bebê, ofereça à mãe uma anestesia segura para o caso de necessitar de realizar uma episiotomia.

Dado que esta injeção possibilita a eliminação da percepção de dor da cintura para baixo, a sua utilização aumentou significativamente nos últimos anos, sendo realizada regularmente em inúmeros hospitais.

Entre as suas principais vantagens em relação à anestesia geral, destaca-se o fato de permitir uma colaboração ativa e uma participação plena da mãe durante o parto, para além de que o anestésico não passa para a circulação materna e, consequentemente, não afeta o bebê.

O momento em que é administrada é muito importante! Apesar de este tipo de anestesia se poder administrar em qualquer momento do trabalho de parto, o ideal é ser efetuada quando o colo uterino “desaparece” e quando a mulher se encontra com uma dilatação de 4 ou 5 cm, uma vez que a epidural pode diminuir a velocidade do trabalho de parto ou mesmo pará-lo se for dada muito cedo.

Uma vez finalizado o parto e a saída da placenta, por vezes é administrada uma nova dose de anestesia antes de retirar o cateter. Isto permitirá à mãe ter também anestesia pós-parto durante cerca de duas horas.

A Rede Mãe relembra que a epidural é eficaz em cerca de 90% das parturientes, pois nem sempre dá origem a uma insensibilidade completa.

A epidural pode provocar efeitos colaterais como a hipotensão, e também apresentar complicações como cefaleias, anestesia espinal total, convulsões ou sequelas neurológicas.

Felizmente, a incidência destas complicações é muito reduzida. Os efeitos secundários (normalmente) ligeiros são compensados pela ausência de dor durante o parto, ficando a mãe disponível para disfrutar em plenitude a chegada do seu bebê.

Publicado em 30 de abril de 2013 / Atualizado em 23 de maio de 2013

Perry, S.; Bobak, I.(2012) O cuidado em Enfermagem Materna. 5ªed. São Paulo: Artmed.ISBN. 85-7307-787-5

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