Dia Mundial da Conscientização do Autismo

No dia 02 de abril é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo.  A data é importante para lembrar uma estatística da Associação de Amigos do Autista (AMA) que revela uma triste realidade brasileira: Apenas 100 mil pessoas em um universo de um milhão de autistas recebem algum tipo de tratamento.

A falta de informação e de esclarecimento sobre a doença contribui para este índice. Além da dificuldade em receber o diagnóstico, os pais de crianças com algum tipo de autismo sofrem com a dificuldade de se conseguir melhores condições de desenvolvimento para seus filhos. Sobre essas dificuldades, publicamos aqui na Rede Mães de Minas o depoimento de Greciana Rodrigues.  Mãe do menino Bryan, hoje com 3 anos, ela relata os desafios enfrentados desde o diagnóstico difícil até a busca por tratamentos complementares que o garoto precisa.

“O Bryan sempre foi uma criança linda até um ano de idade seu desenvolvimento social estava adequado para sua idade. No entanto, desde bebê alguns comportamentos dele eram um pouco diferente das outras crianças. Bryan não reagia aos sons, não dava tchau, e não apontava quando desejava alguma coisa.

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Quando ele fez 1 ano e 4 meses começou a andar. Nessa época conseguimos uma bolsa para ele em uma ótima escola e em pouco tempo a diretora me convidou para uma conversa sobre o comportamento dele. Nesse dia as portas de uma nova realidade foram abertas para mim. A diretora me perguntou se ele escutava direito e se atendia pelo nome em casa. Observamos por alguns dias e descobrimos que meu filho não atendia pelo nome nem respondia à nenhuma ordem.

 

O mais rápido que pude levei-o ao médico para fazermos vários exames, mas nenhum dos exames constava alguma anormalidade. O quadro de saúde de Bryan era normal, não apresentava nenhuma anomalia. Em meio ao desespero por entender o que se passava com meu filho, a pediatra me perguntou se eu aceitava que ele fizesse avaliações referentes ao autismo. Aceitei na mesma hora, porém deixei o consultório naquele dia como se não tivesse chão ao meu redor. No meu coração, o medo do desconhecido. E na minha cabeça, uma única pergunta: O que é autismo? Nunca vi nenhuma criança com isso?

Desse em diante várias foram as lutas.  Alguns profissionais diziam que meu filho não tinha nada, outros pediam para eu dar um tempo. Minha família pensava que eu estava procurando problemas no meu filho; o maior apoio que tive foi da escola onde o Bryan estuda. Os profissionais da escola sabiam que minha preocupação tinha fundamento e estavam dispostos a me ajudar.

 

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Certo dia a diretora me indicou uma psicóloga particular, o que abriu meus olhos e me fez enxergar novos horizontes. Começamos a acompanhar o Bryan e depois de 6 meses veio a resposta: meu filho realmente tinha uma grande possibilidade de ser autista. Na ocasião, Bryan já estava com 2 anos e 4 meses, sem nenhum diagnóstico e todos os profissionais que já havíamos procurado, até então, abandonavam o caso sem nos dar nenhuma resposta.

A psicóloga de Bryan me indicou vários lugares onde eu poderia encontrar profissionais capacitados para conseguir um diagnóstico e ir atrás de uma tratamento para o Bryan, pelo SUS. A espera, porém, foi grande e decidi, por conta própria, juntar dinheiro com parentes e amigos para pagar um psiquiatra particular.  O profissional avaliou meu filho e fechou o diagnóstico precoce e, desde então, iniciamos a luta pelo desenvolvimento e melhores condições para o Bryan.

Meu filho até os 2 anos e 6 meses era totalmente indiferente a tudo que estava ao seu redor. Após 1 ano de tratamento ele teve melhoras significativas, principalmente em relação de comportamento e aceitação das outras pessoas. Bryan odiava receber abraços hoje ele dá abraços e beijos, é muito carinhoso e está aprendendo a lidar com suas dificuldades e limitações.

Hoje ele tem feito uma acompanhamento com uma vários profissionais da saúde que ajudam em seu desenvolvimento. Não vou mentir: o desafio é muito grande e infelizmente são poucos os recursos públicos para ajudar no tratamento. Muitas das terapias do Bryan são pagas enquanto aguardamos vagas em alguns lugares gratuitos. No entanto, nunca direi que algo é empecilho ou impossível. Tudo vale a pena e meu filho é puro amor!”

Bryan e sua mãe, Greiciana/Arquivo Pessoal

Bryan e sua mãe, Greiciana/Arquivo Pessoal

*Greiciana Rodrigues, de 26 anos, é estudante de Direito e é mãe de Bryan, um menino  de 3 anos que faz parte do Aspecto Autista.

Publicado em 2 de abril de 2014

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