Dos 6 aos 12 meses: alimentação complementar

A partir dos 6 meses de idade o leite materno deixa de ser suficiente para satisfazer todas as necessidades do organismo de seu bebê, e aí ele vai estar preparado para receber novos alimentos. Vai se iniciar uma nova fase na alimentação dele – alimentação complementar, que serve para complementar o leite materno (não para substituí-lo!).

Aqui se apresentam algumas dicas que você deve ter atenção nesta fase:

#1. A introdução dos alimentos complementares deve ser iniciada de forma lenta e gradual.

E não se assuste se logo de início seu bebê rejeitar os alimentos, é normal! É tudo novo para ele e ele terá de se acostumar à consistência, ao sabor e até à COLHER (ou copo no caso de oferecer líquidos)!!

A aprendizagem do uso da colher é um processo gradual e lento, primeiro ela vai devolver os alimentos que ingere por não saber como coordenar a língua, mas com o tempo e a repetição da oferta, esse aspecto vai melhorar.

Inicie apenas com pequenas quantidades do alimento (entre 1 a 2 colheres de chá e aumentando a quantidade gradualmente) e coloque na ponta da colher.

#2. Quando seu bebê recusar um alimento, não insista com ele!

É muito normal as crianças recusarem certos alimentos que associem a episódios negativos – por isso forçar e chantagear não adianta.

Dê tempo à criança. Faça uma nova tentativa após um período, pois é normal que bebês e crianças aceitem um novo alimento só após 8 a 10 tentativas ofertados em momentos diferentes.

#3. Ensine, oriente e dê o exemplo!

Seu papel na refeição do bebê (como mãe, pai, babá ou familiar) não é forçar, obrigar nem chantagear!

Para você conseguir estabelecer hábitos alimentares saudáveis você deve guiar seu bebê e dar o exemplo para ele. Ele é um imitador por natureza e, as primeiras pessoas que ele vai querer imitar vai ser seus cuidadores. Ora, se ele não vê você comendo sopa – ou se vê sua expressão feia de como quem não gosta – ele também não vai querer a sopa e vai rejeitar o alimento.

#4. Acostume seu bebê a comer alimentos variados

Para evitar a monotonia da dieta e garantir a quantidade de ferro e outros minerais e vitaminas que ela necessita, mantendo uma boa saúde e crescimento adequado.

Ele não precisa gostar de TODAS as verduras, legumes, frutas, cereais e carnes! Se ele não gostar de algum alimento específico dentro de um grupo, compense e ofereça maior quantidade de outro alimento do mesmo grupo e que ele goste mais.

Dê cor ao prato com os diferentes grupos alimentos! Assim você vai garantir a variedade da alimentação de seu bebê: estimule o consumo de frutas, verduras e legumes, cereais ou tubérculos, leguminosas (feijão, ervilha) e carne. Prefira os alimentos in natura pois são mais baratos e variados.

#5. Esqueça a ideia que ele tem de comer tudo até deixar o prato “limpinho”!

No início a quantidade de alimentos que o bebê vai ingerir vai ser pequena e é importante que você sirva  de forma a ficar um resto no prato! Seu bebê apenas tem de satisfazer o apetite dele, não o seu! E quando ele chorar, não pense que é sempre fome – você deve conhecer e distinguir os choros de seu bebê.

Não ofereça alimento sempre que ele chora ou reclama. Também não deve oferecer alimento como recompensa.

Os pais determinam o que e quando seu bebê come, o bebê decide quanto come! Se o crescimento seguir as curvas de recomendação, você não tem de se preocupar… seu bebê está se alimentando bem!

#6. Continue ofertando leite materno até aos 2 anos.

Ao iniciar a alimentação complementar, é importante que seu bebê continue a tomar o leite materno até aos 2 anos pelo menos, tal como é recomendado pela Organização Mundial de Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria. O leite materno vai continuar alimentando e protegendo seu filho  contra doenças.

#7. Não se esqueça de ofertar água.

Nesta altura passa a ser muito importante a ingestão de água entre as refeições, dando especial atenção a dias muito quentes, se ele estiver urinando pouco ou se estiver mais irritado.

Tem que ser você a ter essa preocupação: ele ainda não tem o mecanismo da sede bem desenvolvido e pode acontecer que desidrate, pois ele não vai pedir água. É você quem tem de criar o hábito dele beber ao longo do dia.

#8. A importância da família e da cultura.

A alimentação complementar deve estar adaptada à sua cultura, situação econômica e hábitos familiares. Seu bebê vai formar os hábitos alimentares e preferências a partir das experiências e aí sua influência vai ser muito importante, apesar de não ser totalmente determinante.

#9. Número das refeições.

Se o bebê continuar sendo amamentado, entre os 6 e os 11 meses deve estar recebendo 3 refeições por dia com alimentos complementares: duas papas principais e uma de frutas. No início da introdução alimentar pode ser necessário você completar a refeição com leite materno no final.

Bebês que não sejam amamentados devem fazer cinco refeições (2 principais e três de leite, além das frutas).

#10. O que você deve evitar.

Evite sucos naturais. Mas, se realmente quiser ofertar os sucos naturais para seu bebê, ofereça no copo e após as refeições principais, nunca em substituição e em dose máxima de 100ml/ dia. A água de coco também não deve substituir a água.

Evite alimentos pré-prontos, açúcar, refrigerante, café e chás, embutidos, salgadinhos e balinhas.

Nesta altura não se recomenda o mel (por conta de um fungo que pode causar doença nas crianças – o botulismo infantil).

Publicado em 1 de outubro de 2012 / Atualizado em 7 de outubro de 2014

MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S. Krause’s Food & Nutrition Therapy. Ed. 12. Saunders Elsevier: Canada, 2008.

World Health Organization (WHO). (2012). The WHO Child Growth Standards. Retrieved from: Who.int

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Manual de orientação do departamento de nutrologia: alimentação do lactente ao adolescente, alimentação na escola, alimentação saudável e vínculo mãe-filho, alimentação saudável e prevenção de doenças, segurança alimentar. 3ª ed. (2012). Departamento Científico de Nutrologia.

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