Especialista ensina como diferenciar tristeza, depressão e psicose pós-parto

Victor Bezrukov | Wikimedia Commons

Logo após o parto, é comum algumas mães apresentarem sinais de tristeza. Segundo o obstetra Ricardo Cabral, colaborador do site Rede Mães de Minas, cerca de 80% das mulheres que dão à luz sofrem alterações de humor, ficam mais introspectivas, chorosas e têm dificuldade de lidar com a dor, ficam de luto pela perda da barriga e não se sentem à vontade com a ideia de ver o bebê passar de colo em colo. Esse quadro, que não incapacita o convívio social, é conhecido como blues pós-parto ou tristeza pós-parto. E normalmente dura até duas ou três semanas depois do nascimento do bebê. Ele é originado pela grande quantidade de hormônios e pela mudança de realidade na vida da mulher. “Alguns dias, uma boa conversa com o seu médico e sua família e fica tudo bem”, destaca Cabral.

Mas é preciso ficar atento. Quando os sintomas começam a ficar exagerados e não se consegue recuperar o ânimo e a vontade de viver, pode-se tratar de um caso de depressão pós-parto. “Depressão é uma doença, enquanto que a tristeza é um estado de humor, muitas vezes passageiro, com uma causa conhecida. Mesmo as duas situações sendo muito dolorosas, não podemos confundir”, alerta o médico.

Até 15% a 20% das mães passam por depressão depois da gravidez, de acordo com Ricardo Cabral. Muitas veem sua sensação de tristeza prolongada, ficam mais antissociais, têm dificuldade de sair do quarto, não querem contato com o pai da criança ou familiares, sentem medo de amamentar, têm insônia ou hipersonia (dormem demais). “A pessoa deprimida se vê como a pior pessoa do mundo, sem nenhuma possibilidade de se levantar e de sair daquele turbilhão de coisas que a envolve”, observa o obstetra, ao lembrar que há formas mais ou menos graves de depressão, e seu tratamento varia de acordo com a necessidade.

Pessoas com história familiar ou pessoal de depressão; episódio prévio de depressão após o parto; ansiedade e depressão durante a gestação; suporte pós-natal deficiente; instabilidade conjugal; gravidez não desejada; mal relacionamento com a mãe e outros eventos estressantes podem aumentar as chances de se desenvolver transtornos depresssivos. No entanto, há casos de mulheres que nunca passaram por isso, desejaram a gravidez, tiveram um parto tranquilo e, ainda assim, sofrem de depressão após o nascimento do bebê.

Em alguns casos mais extremos (5% das mulheres), o quadro pode chegar a uma psicose pós-parto, que se caracteriza como uma desconexão da mãe com o mundo, alucinação, delírio e comportamentos violentos em função das mudanças hormonais e ambientais. Há uma rejeição total ao bebê. A mãe trata o filho como um inimigo, pois se sente aterrorizada e ameaçada por ele. “A mulher vive uma dissociação da realidade socialmente aceitável, com pensamentos e ações muito diferentes do que se permite, podendo ser necessária a internação”, explica Cabral.

Apoio familiar e tratamento

Um profissional médico deve ser sempre a pessoa indicada para fazer o diagnóstico correto e prescrição do tratamento, que pode incluir medicamentos, terapia ou uma junção dos dois. Mas, na avaliação do obstetra Ricardo Cabral, é fundamental a percepção de quem está em volta da mãe do recém-nascido. Ele alerta que a família deve ficar atenta e ter abertura para perceber e respeitar as alterações de humor da mulher. “Se alguém perceber que a mãe, depois do parto, está com um humor mais baixo do que o esperado, muito sem forças, com dificuldades de aceitar o bebê e algumas vezes sem poder nem mesmo ver pessoas da família, querendo ficar isolada, chorando muito ou com crises de ansiedade, chame um médico”, recomenda.

Com a colaboração da família e amigos, proporcionando confiança e segurança à mãe no pós-parto, principalmente nas atividades maternas, é possível minimizar a intensidade da depressão. “Sem críticas e hostilidades, mas com compreensão e carinho, acolhendo-a nos momentos de maior fragilidade emocional, a depressão vai diminuindo até se transformar em carinho pelo bebê e respeito pelo ritmo de seu desenvolvimento e progresso”, destaca Cabral. “Devemos respeitar os sentimentos da mãe neste período, dar espaço para ela falar o que pensa e tomar muito cuidado para que a festa e alegria do clima de maternidade não se torne um peso”, ressalta. Ele ensina ainda: nada de exageros nas festas dentro da maternidade logo nos primeiros dias. É preciso relaxamento para a mãe e bebê poderem criarem o vínculo e aprenderem um com o outro.

Saiba mais

Saiba mais sobre depressão pós-parto e outros assuntos relacionados a gestação e bebês aqui no site Rede Mães de Minas.

Aqui no site do projeto, há uma rede social para gestantes e mães de bebês de até 1 ano de idade. Lá, você encontra notícias e ainda pode curtir e comentar publicações, imagens de ecografias, fotos do bebê, além de participar de fóruns de discussão com grupos temáticos. As informações do projeto também chegam às mães mineiras a partir da publicação de conteúdo educativo em jornais, portais de internet, revistas e TV, além de folders e informes distribuídos em locais estratégicos.

Publicado em 31 de janeiro de 2013 / Atualizado em 9 de novembro de 2015

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