“Icterícia – meu filho teve!”

É claro que eu já tinha ouvido falar de icterícia, mas só percebi a gravidade da situação quando descobri que meu filho tinha, aos quatro dias de vida!

Já estávamos acostumados com aquela pessoinha em casa, dormindo com a gente… Nos primeiros dias ficamos bem pertinho, tentando ouvir a respiração, os batimentos do coração…. Uma alegria imensurável. Me lembro, como se fosse hoje, que saímos para uma consulta de rotina. Voltamos ao hospital para alguns testes e para que o médico se certificasse que o Theo estava bem, mas levamos um susto. Foi constatado que ele estava com icterícia, num estágio avançado, e teria que ficar internado! Como assim? Eu e meu marido choramos como bebês, imploramos ao médico que visse uma outra alternativa, mas não teve jeito. O médico nos explicou que se não fosse tratado assim ele poderia vir a ter problemas cerebrais…

Naquele domingo, voltamos pra casa sem o nosso pequeno. Vi quando tiraram a roupinha dele e o colocaram na incubadora para tomar banho de luz. Quanta tristeza! Apenas de fralda e com uma venda nos olhos… O pior é que eu não podia ficar ao lado dele o tempo todo. As mães só entravam para amamentar de 3 em 3 horas, até às 21hs, quando os pais também iam visitar os filhos. Foram quatro dias de muito sofrimento.

Eu chegava cedo no hospital, ainda me recuperando do parto e sentindo dores no local dos pontos. Ia direto amamentar o meu pequeno, cheirá-lo, acariciá-lo… Quando não estava lá, ia para a sala de ordenha retirar o leite que era dado à noite, já que as mães não podiam ficar…  Quando meu marido chegava e ficávamos juntos, era uma emoção muito forte. Chorei tanto naquela época que meu rosto vivia inchado! Chegava em casa tarde da noite e retirava mais leite para reforçar o estoque da noite seguinte, já que o Theo sempre mamou muito e eu não queria que ele tomasse complemento… Não conseguíamos dormir, chorávamos à noite…

Foi um período muito triste pra mim e meu marido, mas pude perceber o quanto vários pais estavam sofrendo por motivos bem mais fortes. Bebês que estavam há meses internados, que ainda não tinham conhecido o quartinho…

O nível de estresse era muito alto. O médico disse que o Theo poderia receber alta na terça-feira e estávamos ansiosos, mas os resultados dos exames não foram satisfatórios e ele continuou internado. O pediatra me disse que só faria outro exame na quinta, já que é ruim ficar furando o bebê todos os dias…

Na quarta-feira, estava muito desesperada! Havia acordado cedo para retirar leite, no caminho do hospital, o pote virou e derramou praticamente tudo. Sobrou apenas um dedo de leite. Cheguei ao hospital chorando e entregando aquela vasilha à enfermeira, pedi que desse aquele leite para o Theo, afinal, já era alguma coisa. Ela me disse: “Mas ele já vai pra casa!”. Eu rebati, disse que só fariam o exame no dia seguinte. Ela insistiu: “O médico já veio aqui e deu alta para ele”. Inacreditável!

Precisei ler a alta para acreditar que, aquele dia que parecia ser um dos mais difíceis pra mim, foi marcado por uma vitória, uma alegria tão grande….

O médico apareceu, disse que meu bebê estava ótimo e perguntou: “Cadê as roupinhas?” Na hora, liguei para o meu marido e dei aquela notícia maravilhosa…

Tenho só a agradecer a Deus por ter nos dado forças para suportar esse momento tão difícil!

 

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Publicado em 28 de agosto de 2012 / Atualizado em 24 de maio de 2013

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