Maternidade adiada

Texto de opinião

 

Nos últimos cinco anos, observamos um grande avanço na medicina reprodutiva, relacionado à preservação da fertilidade feminina. Numa sociedade em que as mulheres optam por ter filhos cada vez mais tarde, essas técnicas têm contribuído para manter o sonho da maternidade, adiado por opção própria ou pelo surgimento de doenças como o câncer.

Tratamentos para a preservação reprodutiva são indicados para mulheres que precisam submeter-se a quimioterapia, radioterapia ou cirurgia para retirada dos ovários. Nos dois primeiros casos, o risco de perda definitiva de óvulos fica entre 50 e 60%. Na retirada dos ovários, a perda ocorre em 100% das vezes. Mas existem alternativas, que devem ser sempre lembradas às mulheres que ainda pretendem ter filhos.

Mulheres que procuram preservar a capacidade reprodutiva dispõem de três possibilidades: o congelamento de embriões, de óvulos e ou do tecido ovariano. No primeiro caso, realiza-se a fertilização in vitro (FIV), mas todos os embriões são congelados ao invés de serem transferidos imediatamente para o útero. Nesse tipo de tratamento, é fundamental que a mulher tenha marido ou parceiro definitivo, pois os óvulos serão fertilizados antes de serem criopreservados.

No congelamento de óvulos, a ovulação é induzida e os mesmos são coletados como se fossem ser utilizados para FIV. A diferença é que não são fecundados, mas criopreservados. Uma vantagem do congelamento de óvulos é que a mulher não depende do espermatozóide para o tratamento, não precisa ser casada ou ter parceiro definitivo. Além disso, óvulos que não sejam mais necessários podem ser descartados, ao contrário de embriões já fecundados e congelados.

Outro importante progresso foi a “indução da ovulação de urgência”. Com essa técnica, é possível iniciar o tratamento em qualquer fase do ciclo menstrual, sem a necessidade de se esperar por uma fase específica do ciclo, como é o caso em tratamentos por FIV. O principal benefício dessa forma de indução é a agilidade: com duração menor, esse procedimento é ideal em casos que a paciente precisa iniciar urgentemente seu tratamento para o câncer.

Considerada uma técnica experimental, o congelamento de tecido ovariano é uma alternativa para casos específicos. Porém ainda não apresentou resultados expressivos e exige que a paciente se submeta a uma cirurgia para retirada do ovário.

Outro grande desafio para a medicina reprodutiva continua a ser a implantação embrionária, isto é, o processo de fixação do embrião no endométrio, camada que reveste internamente o útero.

Apesar dos grandes avanços, ainda estamos pesquisando métodos que possam revolucionar as taxas de gravidez durante o tratamento de infertilidade. Mesmo que as chances com o tratamento sejam bem superiores às obtidas em ciclos sem tratamento, desejamos atingir chances ainda mais elevadas nos próximos cinco a dez anos.

Publicado em 21 de março de 2013 / Atualizado em 23 de maio de 2013

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