Metabolismo dos alimentos na gravidez – o que muda?

Hoje vamos falar sobre os constituintes principais dos alimentos: os carboidratos, as proteínas e as gorduras.

Muitas mudanças ocorrem no metabolismo desses constituintes durante a gestação. O organismo materno passa por essas alterações com o objetivo de adequá-lo às necessidades orgânicas do complexo materno-fetal e do parto.  Ou seja, ocorrem vários ajustes para assegurar que o bebê recebe todos os suprimentos necessários ao seu crescimento e desenvolvimento.

Nos três últimos meses de gravidez cerca de 50 a 70% das calorias que o bebê recebe vêm da glicose, 20% vêm das proteinas e o restante das gorduras.

Carboidratos

Os carboidratos são fontes imediatas de energia para nosso organismo. Dentro desse grupo estão os pães, massas, cereais, batata, mandioca, mel, açúcares e etc.

Nos três primeiros meses de gestação o feto precisa e requer muito a glicose da mãe e por isso pode ocorrer a hipoglicemia na gestante.

A hipoglicemia é a queda dos níveis de glicose no sangue uma vez que essa glicose está sendo requerida pelo feto. Por isso nesse início é muito importante que a mãe se alimente de 3 em 3 horas e consuma fonte de carboidratos em todas as refeições.

A partir do segundo trimestre há um aumento da resistência insulínica. Isso significa que a mãe irá fornecer nutrientes preferencialmente para o feto e ocorre o acúmulo de gorduras na mãe. Dessa forma quando a mãe fica em jejum ela utiliza esse depósito de gordura para obtenção de energia para ela e para o feto garantindo esse fornecimento contínuo de glicose.

Proteínas

As proteínas são os constituintes básicos da vida. Elas são responsáveis por todas as reações que ocorrem no nosso organismo. Dentro desse grupo estão as carnes, aves, peixes, leites e derivados, frutos do mar, ovos, leguminosas, soja e etc.

É fundamental garantir o aporte protéico adequado durante a gravidez para que a mãe não perca sua massa magra e garanta ao feto a síntese proteica adequada para sua formação.

Estima-se que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, as gestantes devem aumentar o consumo de proteínas em torno de 6g/dia. Aumentando uma porção de proteína na dieta já conseguimos atingir essa recomendação.

O consumo de proteína estará diretamente ligado ao crescimento e desenvolvimento do feto de forma que a falta de proteína pode ocasionar uma desnutrição fetal.

No segundo e no terceiro trimestre a proteína se torna ainda mais importante pois é a fase que o bebê cresce mais rápido.

Gorduras

As gorduras são o estoque de energia no organismo. Elas fornecem energia para as células, participam da composição das membranas das células, atuam como isolantes térmicos e facilitam reações químicas que acontecem no nosso organismo. Dentro desse grupo estão as manteigas, margarinas, azeite e óleos, soja, nozes, semente de linhaça e etc.

A gestante deve estar atenta à qualidade das gorduras ingeridas na dieta. Isso porque a gordura saturada que vem das gorduras de origem animal não são benéficas à saúde. Deve-se priorizar as gorduras de origem vegetal que são mais saudáveis e estão intimamente ligadas à formação dos sistema nervoso fetal e função visual do bebê.

Há um aumento do estoque de gorduras no período da gravidez para suprir as necessidades fetais durante o jejum. O aumento de peso no último trimestre da gravidez promove o estímulo de crescimento da massa muscular fetal.

A partir do quarto mês o bebê começa a formar o seu tecido adiposo e esse aumento é acentuado até o nascimento.

A necessidade do consumo de gorduras não está aumentada na gravidez mas a gestante deve-se preocupar em relação à qualidade da gordura ingerida. Deve-se preferir sempre as gorduras de origem vegetal.

Publicado em 25 de setembro de 2013

LAPILLONE, A.; BRAILLON, P.; CLARIS,O. Body composition in appropriate and in small for gestacional age infants. Acta Paediatr, v.86, p.196-200,1997.

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Nutrição Clínica: Obstetrícia e Pediatria/organizadoras Maria Josemere de Oliveira Borba Vasconcelos et al. Rio de Janeiro: MedBook,2011.

Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Ed Rubio,2008.

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