Meu filho faz birra. O que posso fazer?

Quem  não tem filhos ou os tem ainda muito bebês , ao passear pelo shopping e se deparar com uma criança a berrar, dar pontapés e pedir descontroladamente que a mãe lhe compre um brinquedo , pode pensar “meu filho nunca me vai fazer passar por essa vergonha, eu hei-de educá-lo melhor”.

Alguns anos depois, eis que se vê na mesma situação …. E se pergunta: O que fiz de errado?

A verdade é que os ataques de  birra, com agitação, gritos e agressividade fazem parte do desenvolvimento infantil, são a maneira de a criança manifestar sua frustração, quando ainda não possuem maturidade suficiente para entender e lidar com a negação.

São muito frequentes na idade dos 2 aos 4 anos quando não só é normal como também é esperado ela reagir mal ao ser contrariado.

Mas o que fazer para evitar as birras e como proceder quando elas ocorrem?

Essas crises podem ser desencadeadas ou pioradas em situações em que a criança esteja menos confortável, com medo, sono ou cansaço. Portanto, evite submeter a criança a estas situações, como levá-la ás compras no horário que sabe que vai ter sono.

O melhor a fazer quando ocorre a birra é manter a calma e  ter paciência. Os pais não devem perder o controle da situação, pois são o modelo de comportamento. Se ficarem agressivos, agitados ou gritarem vão demonstrar insegurança e reforçar o comportamento agressivo da criança.

Não ceder às birras, procurar minimizar a sua importância, ser consistente e coerente com o que diz é muito importante. Quando diz “não”, esse “não” deve ser mantido até ao fim, independentemente  do escândalo que possa ocorrer.

Comprar o que a criança está pedindo vai calá-la naquele momento, mas pode provocar um comportamento repetitivo de birras, ela vai entender que assim pode manipular os pais. Evite prometer prendas ou castigos que não pretenda cumprir.

Quanto os ataques de birra são muito frequentes e demorados (mais do que 15 minutos de duração , acima de 3 vezes ao dia) ou com agressividade excessiva, pode indicar problemas emocionais ou médicos na criança, que  deve ser avaliada profissionalmente pelo pediatra ou psicólogo.

Publicado em 24 de setembro de 2013 / Atualizado em 3 de abril de 2014

Filho, E.A.O ( 2003). Desenvolvimento Neuropsicomotor da Criança. Aquisição e desenvolvimento infantil (0-12 anos): um olhar multidisciplinar,( EDIPUCRS)

Leão, E., Correa, E. J., Viana, M. B., & Mota, J. A. C. (1998). Pediatria Ambulatorial. (C. E. e de C. Médica, Ed.) (3rd ed.).

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