O nascimento de uma MÃE!

Texto de opinião

 

Quando nasceu meu primeiro filho, a sensação foi algo diferente, ao me olhar no espelho.

Tive uma crise de identidade, não era a mesma mulher de antes de engravidar e não tinha mais a barriga que me identificava como grávida.

A barriga estava murcha e flácida, dos meus peitos inchados e doloridos saía leite, tinha uma cicatriz na barriga….

Estava muito feliz e ao mesmo tempo muito cansada. Queria dormir e descansar , mas também queria amamentar, dar o primeiro banho do bebé em casa, cuidar do meu filho a tempo inteiro. Um turbilhão de emoções atravessou minha mente.

Naquele momento eu percebi que a mulher que eu era havia mudado irremediavelmente. Junto com o Lucas havia nascido também uma nova Flávia.

Eu era mãe!

Fato incontestável: Ser mãe é uma coisa realmente mágica, maravilhosa e indescritível. Toda a gente sabe, todo mundo diz com orgulho das alegrias e felicidades da maternidade.

As mulheres se preparam para este sentimento de amor puro e incondicional durante 9 meses, um amor que cresce juntamente com a barriga, fica maior a cada dia e que transborda ao ouvir o primeiro choro na sala de parto.

Mas poucas mulheres  estão preparadas para a confusão emocional que vem a seguir. Esperam tanto sentir só alegria que se assustam e sentem-se culpadas quando percebem que nem tudo são flores.

Pois é… os primeiros dias como mãe são difíceis.

Pronto, falei! São difíceis, muito difíceis, realmente difíceis!

Eu precisei me reinventar como pessoa, renascer junto com o bebê. Abrir mão das horas de sono, controlar a vontade de verificar se o bebê estava a respirar a cada 10 segundos, aprender a dividir o dia em horários de mamadas e conseguir organizar toda a minha rotina em intervalos de 3 em 3 horas. Dar atenção ao marido, receber visitas,  cuidar da casa, e não se esquecer de mim mesma. Foi uma mudança radical de vida .

Quando dei por mim, já estava tão envolvida entre fraldas e mamadeiras que nem me lembrava mais de como era antes.

Até o nascimento da Laura, dois anos e oito meses depois, e do João, dois anos após a Laura, quando descobri que por mais  acostumada a ser mãe que uma pessoa possa estar, um novo filho sempre traz  novas alegrias e novos desafios. Mas isso são outras histórias…

O fato é que eu nasci como mãe há nove anos e tenho aprendido como sê-lo todos os dias desde então. Tento fazer o meu melhor.

O caminho tem sido longo, recheado de preocupações, incertezas, inseguranças, mas acima de tudo, muita felicidade. Vivo minhas lições todos os dias, com três professores lindos que crescem debaixo dos meus olhos e nem sempre consigo acompanhá-los..

E o amor, aquele que transbordou um dia na maternidade, fica maior a cada dia e já não transborda, porque o meu coração se alargou e nunca se enche totalmente, sempre cabe mais um pouquinho de emoção.

Publicado em 30 de setembro de 2013

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