Pediatra dá dicas sobre vacinação infantil

Texto de opinião
Valter Campanato | ABr

Valter Campanato | ABr

Segundo a pediatra Flávia Cabral, colaboradora da Rede Mães de Minas, a gripe é uma doença muito comum, causada por vírus e acontece com maior frequência nos meses mais frios, no outono e inverno.

“A gripe acontece principalmente porque nestas épocas, as pessoas têm a tendência a ficar em lugares fechados e a aglomeração ajuda a propagar o vírus”, explica. “As crianças pequenas têm menos defesas no organismo e, por isso, são mais suscetíveis a contrair o vírus da gripe, principalmente quando frequentam creches e escolas.” A médica destaca ainda que os sintomas costumam ser mais intensos nesta faixa etária, com febre alta, tosse, dificuldade para respirar, falta de apetite, diarreia e vômitos e, em casos mais graves, podem levar a pneumonia. Por isso, a importância da vacina, para prevenir a ocorrência destes casos mais graves.
A seguir, Flávia Cabral responde a algumas dúvidas comuns das mães com relação às vacinas.
  • O que impede a criança de ser vacinada?

É muito comum em nosso país a adoção de falsas contraindicações à vacinação, apoiadas em conceitos desatualizados, com perda de oportunidade de vacinação e o consequente prejuízo do efeito preventivo das vacinas. É importante saber que as contraindicações verdadeiras dependem da vacina a ser tomada. No caso da vacina contra a gripe, é contraindicada em pessoas com alergia á proteína do ovo e em crianças menores de 6 meses. As vacinas que utilizam vírus ou bactérias inativados em sua composição, como a BCG, a Anti Pólio e a contra sarampo, caxumba e rubéola não devem ser administradas a pessoas com a imunidade comprometida, no caso de tratamentos de quimioterapia, radioterapia ou em uso de corticoides em altas doses ou que têm alguma doença que causa imunodeficiência. Nos casos em que a criança a ser vacinada está doente com febre, é recomendável esperar que ela melhore para ser vacinada, para se evitar que os sintomas da doença em curso não se confundam com os efeitos da vacina. Segundo o Manual de Normas de Vacinação do Ministério da Saúde, não constituem contraindicação à vacinação:

a) doenças comuns, tais como resfriados e alergias respiratórias com tosse, coriza, diarreia leve ou moderada, doenças da pele (impetigo, escabiose etc);

b) desnutrição ou baixo peso;

c) aplicação de vacina contra a raiva em andamento;

d) história de convulsões anteriores, com ou sem febre, desde que bem controladas;

e) antecedente de convulsão na família;

f) tratamento com corticoides durante curto período de tempo (inferior a duas semanas), ou tratamento prolongado diário ou em dias alternados com doses baixas ou moderadas;

g) alergias, exceto as reações alérgicas graves, relacionadas a componentes de determinadas vacinas;

h) prematuridade ou baixo peso no nascimento. As vacinas devem ser administradas na idade cronológica recomendada, não se justificando adiar o início da vacinação (excetuam-se o BCG, que deve ser aplicado somente em crianças com mais de 2kg);

i) internação hospitalar – crianças hospitalizadas podem ser vacinadas antes da alta e, em alguns casos, imediatamente depois da admissão no hospital.

  • Meu filho precisa ser vacinado se já teve a doença?

É importante que a criança cumpra todo o calendário oficial de vacinação do Ministério da Saúde, independentemente de já ter tido ou não alguma destas doenças.

  • Há algum problema se eu perder o prazo de uma vacina?

Se o prazo recomendado para vacinar seu filho passar por algum motivo, não significa que ele perdeu a oportunidade de ser vacinado. Não é recomendável adiantar as doses, mas não existe limite superior de idade para vacinar a criança. Se perder alguma vacina, deve levá-lo a um posto de saúde o quanto antes para atualizar o cartão.

  • Faz mal tomar mais de uma vacina no mesmo dia?

Não. Várias vacinas podem ser tomadas no mesmo dia.

  • O que fazer para diminuir o medo da picada da agulha?

O melhor truque para diminuir o medo da picada é não fazer terrorismo com a criança, não assustá-la ou amedrontá-la, nem fazer falsas ameaças, tipo dizer que se não se comportar bem vai levar uma injeção, e usar a ida ao médico como um instrumento de castigo. Desde cedo, a criança deve ser ensinada que as vacinas, assim como a ida ao médico ou remédios que precisa tomar são para o bem dela, e mesmo que doa um pouco na hora, vai ser melhor do que adoecer depois. Nada melhor do que uma boa conversa, com sinceridade. Não importa a idade da criança.

Publicado em 26 de abril de 2013 / Atualizado em 9 de novembro de 2015

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