Ser Mãe!

Escrever uma primeira coluna é uma responsabilidade incrível! Primeiro porque o projeto Rede Mãe por si só já dá o peso da responsabilidade. Depois, porque ainda não consegui definir quais os temas que podemos tratar aqui.

Então, pra começar, vale dizer que a coluna está aberta a dicas e sugestões das mães que passarem por aqui! E para dar início aos nossos bate-papos, pensei em contar um pouquinho da minha própria experiência…

Ser mãe!

Engraçado como ser mãe sempre esteve nos meus planos. Fui tia com apenas quatro anos (é, ser caçula de uma família com oito filhos tem estas coisas!). Daí em diante, foram muitos sobrinhos e sobrinhas e a vontade de ser mãe só crescendo… Até os meus 10, 11 anos, foram muitas brincadeiras com bonecas. A partir daí, as brincadeiras ficaram melhores, porque as bonecas foram sendo substituídas pelas sobrinhas e sobrinhos, que eu já acompanhava de perto, dando mamadeira, tomando conta, até me transformei em babysitter da família, com direito a remuneração e tudo! Amava este “trabalho” e sentia cada vez mais a vontade de ser mãe logo.

E realizar este sonho não foi tão difícil assim. Meu primeiro namorado sério foi aos 17 anos e foi com ele que me casei, pouco mais de cinco anos depois. E adivinha só? Ele também queria ser pai, de preferência logo! Maravilha! Nossa primeira filha nasceu quando eu ainda tinha 23 anos e foi uma felicidade incrível!!!

Gravidez? Nossa, foi uma delícia com todas as dores e angústias normais que uma gravidez pode ter também!

De cara, meu médico já me deixou “sem jeito”: na primeira consulta com o pai (Magno), ele avisou: “pai, gravidez não é doença. Ela tem que levar uma vida normal, sem preocupação nem medo”. Obrigada, senhor médico, mas acabava ali minha chance de fazer “manha”.  Então, “simbora” trabalhar (tinha dois empregos na época) como se nada estivesse acontecendo. Fui fazer ginástica e massagem para grávida, mas acho que a bebezinha gostou tanto que pensou que era hora de nascer, e aí, parada forçada para um descanso e nada mais de massagens… Só caminhadas pra não perder (tanto) a forma. No fim da gravidez, mais um sustinho: o médico achou que tinha um probleminha no coração do bebê, mas nada demais foi detectado, então, vida normal de novo até as vésperas dela nascer.

Tudo certo para o parto normal? Nem tanto. Com 38 semanas, as contrações apertaram e a bolsa estourou, mas não houve dilatação suficiente e tivemos que partir para uma cesareana. Que medo eu tive naquele momento!

Cesariana não estava nos meus planos, definitivamente. Mas a cirurgia foi ótima e ela nasceu linda, com 3,600 kg, uma fofa branquinha, de olhos bem azuis e penugem ruiva no lugar de cabelo.

Tudo planejado e correndo às mil maravilhas, pelo menos da forma como um casal ainda recém-casado (ela nasceu antes de completarmos dois anos de casados) pode planejar. Nós três morávamos em um apartamento pequenininho, mas que abrigou nossa família por mais dois anos, quando engravidei de novo, da nossa segunda bonequinha!

E aí, já não caberíamos mais ali, mas a felicidade era a mesma e encontrar um novo lugar para a família que crescia foi mais do que natural.

As meninas foram as melhores bebezinhas que uma mãe podia ter. Pra começar, a Luciana (primogênita) passou a dormir a noite toda (a noite toda são pelo menos 10 horas de sono! Acreditem!) com  apenas um mês e meio!!!! Minhas preces foram atendidas. Morria de medo de virar um zumbi, afinal, eu tinha um “quê” de sonambulismo e tinha muito receio de provocar um acidente no meio da noite se tivesse que ficar cuidando dela na madrugada! Mas que nada!!!!

Ela dormia a noite toda. E eu, fiz o que pude: amamentei até os sete meses completos. E não complementava com nenhum tipo de leite. Foi o máximo!

Me sentia totalmente realizada podendo alimentar minha filhinha. Resisti aos conselhos de dar água, chá ou qualquer outra coisa. Mas, com sete meses, confesso que pedi minha “carta de alforria”.

Amamentar é lindo e me dava um prazer incrível, mas eu precisava trabalhar sem ficar com leite escorrendo pela roupa, precisava chegar um pouco mais tarde às vezes, precisava sair um pouco mais para ter tempo para o marido…

Tenho que confessar que muito contribuiu para o sucesso desta relação mãe e filha o maravilhoso pediatra que me acompanhou desde o primeiro momento. O “tio” Laurista foi demais!

Ele me orientava e eu seguia ao pé da letra: levei todos os meses para avaliações, pesagens e vacinas.

Só dava o alimento que ele me liberava, com a receita que ele mesmo me passava e na quantidade que ele mandava! Bingo! Minha filhinha cresceu linda e maravilhosa, tomando de vez em quando uma recomendada dose de vitamina “S” (de sujeira, mesmo) quando ele começou a liberar para que ela rolasse no chão da casa na tentativa de engatinhar.

Eu dava o banho de sol e já deixava que ela ensaiasse os primeiros passos no chão do prédio em que morávamos. Ela voltava imunda, mas imensamente feliz e realizada! E eu trabalhava só meio período, o que me dava tempo suficiente pra curtir minha pequenina e depois deixar com os avós paternos, que amavam fazer o possível o impossível para vê-la feliz.

Claro que existiram mil e quinhentas dúvidas sobre se estaríamos fazendo tudo certinho, se estávamos ensinando e estimulando no tempo devido, se ela estaria sempre saudável, se, se, se…

Nossa, como as mães sofrem com tantos “se”! E como seria mais fácil “se” tornássemos as coisas mais simples, sem tanto questionamento.

Mas eu tinha uma vantagem: além da experiência adquirida com sobrinhos e sobrinhas (o que me fazia uma mãe de primeira viagem com um “tiquinho” mais de conhecimento), sempre acreditei que tudo daria certo, tinha a vantagem de uma cabeça fresca de juventude e tinha o apoio e suporte que precisava na família.

O pai dava os primeiros banhos, trocava as fraldas nas primeiras madrugadas quando os pontos da cesareana ainda incomodavam e eu também podia contar com algumas ajudas aqui e ali das muitas mulheres da família.

Mas sei que tivemos não só sorte, mas também acertamos em muitas coisas (claro que erramos também, impossível criar uma criança sem errar todos os dias). Foi aí que deu aquela vontade de ter um segundo bebê…

A Luciana (primeira) ainda era muito pequena, tinha pouco mais de um ano e meio, mas já era tão espertinha e já até estava sem fraldinha quando resolvemos que seria a hora de engravidar de novo.  E aí… Bom, aí vieram muitas dúvidas…

Meu Deus, por que questionamos tanto? Eu tinha muito medo. Medo de não dar conta de duas crianças. Medo de não conseguir dividir o amor em dois. Medo de que a segunda gravidez não fosse tão tranqüila. Mas por que tudo isso?

A única coisa que consegui  com este medo todo foi  passar muita ansiedade para a Luciana, que ainda tão pequenininha não entendi porque a mamãe estava tão sensível, tão assustada e tão preocupada.

Confesso que vivemos (mãe e filha) momentos estressantes, mesmo ela sendo aquele “pinguinho” de gente. Mas, que nada! Se eu soubesse que aqueles medos não tinham nenhum fundamento…

E quer saber?

Depois que a Gabi nasceu, a relação mãe e filha com a Lu foi muito melhor do que eu pensava. Cuidar de mais um bebê foi natural e o amor, ah, amor de mãe é sem fim de tão grande e se divide em quantos filhos a gente queira (e possa) ter. Muito lindo e natural!

A Luciana recebeu a irmãzinha tão bem quanto poderia com 2 anos e meio… Mas um dia, logo no comecinho perguntou sem nenhum pudor: “Mamãe, a gente pode jogar a Gabi no lixo?!” E aí começava a amizade das duas…

Publicado em 1 de outubro de 2012 / Atualizado em 24 de maio de 2013

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