Suplementação de ferro e anemia

Durante a gravidez, o organismo da mulher vai sofrer várias adaptações de forma a garantir a saúde da mãe e ao mesmo tempo permitir um crescimento e desenvolvimento saudável do bebê. Uma das principais alterações é no volume de sangue que passa a circular no corpo da mulher (este aumenta cerca de 20 a 30%) e, consequentemente, aumento da produção de glóbulos vermelhos.

Os glóbulos vermelhos são constituídos por duas proteínas – globulina e hemoglobina – e têm a função de transportar oxigénio a todas as células. A hemoglobina contém, na sua constituição, ferro e é a sua constituição que vai permitir a ligação e transporte do oxigênio pela circulação sanguínea.

Divulgação/Mari Siqueira fotografias

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Daí que seja fácil de compreender que as necessidades de ferro na gravidez vão aumentar, de forma a que possamos responder ao aumento da produção dos glóbulos vermelhos. Ao mesmo tempo, o ferro é imprescindível para o crescimento da placenta e do futuro bebê, mais especificamente no desenvolvimento e funcionamento dos seus órgãos vitais.

Em caso de deficiência de ferro, a mulher poderá desenvolver uma anemia (o organismo não vai produzir glóbulos vermelhos em quantidade suficiente). As anemias graves, durante a gravidez, associam-se a maior risco de morte fetal, baixo peso à nascença e parto prematuro. Por outro lado, o feto com deficiência de ferro pode ter comprometidas funções cognitivas e comportamentais.

Com o apresentado fica claro que o ferro é realmente um mineral essencial, tanto para a mãe como para o bebê. No entanto, com base nos hábitos alimentares de hoje em dia, notou-se que as mulheres quando engravidam não têm reservas de ferro suficientes para suprimir este aumento das necessidades e, por isso, a Organização Mundial de Saúde recomenda a suplementação diária de ferro para prevenção de anemias. Assim a suplementação no Brasil é feita com base nessa recomendação da OMS.

No entanto, a suplementação com sulfato ferroso deve ser prescrito pelo médico (ou nutricionista) pois está demonstrado que a ingestão de uma quantidade excessiva de ferro pode estar relacionada com pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

É importante seguir sempre as indicações de seu médico e questioná-lo quando tiver dúvidas.

O que se aconselha é a prevenção e a melhor forma de prevenir é, sem qualquer margem de erro, através da alimentação. Garantir que antes, durante e depois da gravidez – ou seja, em qualquer fase da sua vida – tem uma alimentação equilibrada e rica nutricionalmente. Deixo-lhe alguns exemplos de alimentos que se consideram boas fontes de ferro:

  • carne vermelha (mas tenha cuidado com as quantidades, este tipo de carne deve ser consumido em moderação)
  • leguminosas
  • damasco seco, ameixa seca
  • tremoços
  • pinhão, amêndoa, avelã
  • cereais integrais (pouco processados)
  • sardinha em conserva
  • vegetais de folha verde escura

Tenha em consideração que os alimentos ricos em cálcio (como o leite, iogurte ou queijos) vão prejudicar a absorção de ferro. Por outro lado, os alimentos ricos em vitamina C (como a laranja ou o kiwi) vão facilitar a absorção de ferro, principalmente o ferro de origem vegetal.

 

Bibliografia

Mahan, L. H., & Escott-Stump, S. (2008). Krause’s Food & Nutrition Therapy (12th ed.). Canada: Saunders Elsevier.

Organização Mundial de Saúde (OMS). 2013. Suplementação diária de ferro e ácido fólico em gestantes.

Macedo, A.; Cardoso, S. (2010) Suplementação de rotina com ferro na gravidez. in Acta Médica Portuguesa

Publicado em 17 de dezembro de 2013

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