Um assunto bem delicado: o aborto

A interrupção da gravidez (aborto) é um momento muito difícil na vida da mulher e é a expulsão espontânea ou provocada do feto pesando menos de 500 g.

Quando o feto é naturalmente expulso antes da vigésima semana de gravidez, se chama de aborto espontâneo. Ao contrário, quando há a utilização de algum mecanismo de indução é dito aborto provocado.

Sabe-se que frente ao aborto – espontâneo ou provocado – a mulher passa por momentos de conflitos, contradições, certezas e incertezas. Uma situação muito delicada e complexa na vida daquela que o vivencia.

Além das alterações psicoemocionais, a mulher no processo de abortamento passa por alterações físicas relevantes, como a ocorrência de sangramentos e cólicas abdominais. Na maioria das vezes o sangramento inicia-se antes do surgimento das dores abdominais que pode persistir por vários dias ou mesmo semanas.

Grande parte dos abortos espontâneos constitui-se como resultado de um feto com poucas chances de sobrevivência até o final da gravidez ou que não se encontra em desenvolvimento saudável. As causas podem ser várias como:

  • anomalias cromossômicas do feto/embrião
  • baixos níveis de progesterona
  • infecções e doenças bacterianas e virais
  • doenças vasculares
  • anomalias uterinas
  • gestações em mulheres com mais de 40 anos
  • doença autoimune
  • estresse
  • consumo exagerado de cigarros e outras drogas
  • trauma acidental ou intencional
  • história prévia de abortos espontâneos
  • exposição a toxinas ambientais

Os sinais e sintomas relacionados ao processo abortivo são sangramentos vaginais abundantes, por 24 horas, seguidos de sangramento leve que deve perdurar por três ou mais dias. A dor abdominal é intensa e persistente e se localiza na parte inferior do abdômen ou nas costas e chega a durar 24 horas. Outros sinais são os coágulos sanguíneos, de início com cor acinzentada, provavelmente material embrionário e placentário.

Entre as complicações do abortamento podem ocorrer grandes hemorragias, perfurações uterinas, ulcerações do colo e vagina, infecções, complicações tardias e transtornos da menstruação.

Existem vários tipos diferentes de abortos espontâneos, e alguns deles podem mesmo não resultar em aborto:

  • aborto iminente - uma em cada cinco mulheres grávidas passa por isso quando sangra pela vagina durante os primeiros três meses; embora indique que um aborto espontâneo poderá ocorrer, com frequência não é mais do que uma ameaça e a gravidez continua normalmente;
  • aborto inevitável – quando uma mulher grávida começa a sangrar e a dilatar o colo do útero e é apenas uma questão de tempo antes do conteúdo do útero ser expelido;
  • aborto espontâneo – nessa situação, o feto morre no útero mas não é naturalmente expelido e a mulher não tem sangramento ou dor para indicar que a gravidez não está em andamento; o médico geralmente diagnostica a condição quando o útero pára de aumentar;
  • aborto incompleto - ocorre quando apenas parte do conteúdo uterino é naturalmente expelido;
  • aborto completo -  ocorre quando todo o conteúdo uterino foi naturalmente expelido

Após um aborto inevitável, incompleto ou espontâneo, qualquer tecido remanescente da placenta ou do feto deve ser removido por um procedimento cirúrgico conhecido como dilatação do colo do útero seguido de curetagem, no qual o médico dilata o colo do útero e gentilmente remove o material residual de dentro dele. Sem essa precaução, a mulher está mais suscetível a infecções e sangramento intenso.

O aborto espontâneo deixa grande lacuna na mulher por interromper seus sonhos, desejos e impedir a experiência da maternidade. São vivências de dores, sangramentos, sustos, tristeza, violência e culpa.

O pré-natal completo o mais cedo possível é a melhor prevenção disponível para todas as complicações da gravidez.

Publicado em 27 de setembro de 2013

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